O edifício está lá, sendo literalmente tombado, neste momento. Fica a sensação de que algo não ficou bem claro. Acho que essas políticas preservacionistas poderiam ser mais transparentes.
Manu Albuquerque
Acontecem coisas estranhas em todo canto neste mundo, mas fico abismado com a quantidade dessas estranhezas aqui no nosso amado estado do Rio Grande do Norte, e mais ainda na cidade chamada Natal.
Estranhezas como a de quatro veículos doados delo Governo Federal, para a segurança pública do RN, passaram, desde novembro do ano passado, esperando a boa vontade e o interesse do Governo do Estado para serem resgatados numa loja de Natal e, se não fosse o ultimato da concessionária, sabe-se lá quando esse “interesse” e “boa vontade” surgiriam dos gestores da segurança no Estado. Afinal, não estamos passando por uma fase de maior criminalidade que o Rio Grande do Norte já se viu inserida! “Não, Sr. Governo Federal, podem levar os carros de volta, não precisamos, somos, segundo estatísticas, uma das capitais mais seguras do Brasil!”, será?
Estranhezas como a de inaugurar um parque sem, ao menos, ter o mínimo de condições para o visitante. Construído às pressas, pois antes de julho tinha que já estar inaugurado! Afinal, as eleições já estavam batendo na porta.
Mas aí diríamos, “tudo bem, é Brasil, qual o político que não faz isso?!”. Aí, caros amigos, eu responderia que, realmente, “o pior do Brasil é o brasileiro!”.
E não será?
Estranheza maior foi ver a governadora Wilma de Faria dar uma canetada, e através do decreto 20.597, no dia 26 de junho de 2008, onde, em seu texto principal, dizia que “Tomba a EDIFICAÇÃO do antigo Cine Nordeste, localizada no Centro, Natal/RN”, e agora recebo, através da arquiteta Emanuelle Albuquerque a notícia de que, segundo ela, “O tombamento do edifício do Cinema Nordeste resultou em uma proteção às 4 paredes externas. Foi o que constatei com muito pesar essa manhã (30 de agosto). Um grande magazine será instalado no local e o ´projeto´ novo, que previa a demolição de toda a parte interna do edifício, foi devidamente licenciado pela SEMURB, após o tombamento, por ter sido avaliado (segundo a SEMURB) e aprovado pelo Conselho Cultural.”
Quer dizer, estão brincando com o cidadão natalense e potiguar! Como se decreta algo e depois se diz “não, só tombamos 4 paredes!”. E com isso fazendo de palhaços os que desejam ver aquele histórico prédio INTEIRO. Gostaria de pedir licença e utilizar mais algumas palavras de Emanuelle que lamenta esta insana atitude dos “nossos” governantes: “O edifício está lá, sendo literalmente tombado, neste momento. Fica a sensação de que algo não ficou bem claro. Acho que essas políticas preservacionistas poderiam ser mais transparentes.”
Ainda, quase suplicando por uma ajuda superior, em tom melancólico, e lamentando o desfecho do processo que mobilizou profissionais e populares, ela completa seu pensamento: “Querendo ser Pollyana, penso que pelo menos teremos a fachada, já que o antigo projeto de estacionamento destruiria o prédio completamente, mas, diante do empenho de muitos, penso que é muito pouco. É triste, vergonhoso e desanimado”. Mas sei que essa força que, aparentemente, aos pouco vai se esfarelando, ainda é enorme dentro desta lutadora, e isso me faz lembrar uma personagem de um filme, que todos conhecem por Fênix.






