‘Arquitetura Brasileira fez Sonho Antropológico’ Criação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo
projeto
Projeto Oca House foi elaborado por alunas de Belo Horizonte e ganhou menção honrosa
no concurso estudantil Ecohouse, em Londres
O projeto de uma unidade residencial adaptada ao modo de vida contemporâneo, seguindo conceitos de sustentabilidade e inspirada na arquitetura das ocas indígenas, ganhou menção honrosa no concurso para estudantes Ecohouse, em Londres. Batizado com o nome Oca House, o trabalho foi desenvolvido por seis alunas da Escola de Arquitetura da Fundação Mineira de Educação e Cultura (Fumec), sob orientação do arquiteto e professor João Diniz, e com a colaboração da professora Adriana Tonani.
O formato de oca, segundo as autoras, oferece menor área de fachada por metro cúbico e maior integração do espaço interno. No centro da construção, uma estrutura tubular deve suportar as estruturas metálicas de fechamento, a ser feito com painel do tipo drywall impermeabilizado. Como o prêmio do Ecohouse foi dado ao conceito/idéia, várias soluções ainda serão detalhadas.
O concurso exigia que as casas tivessem 120 metros quadrados, para acomodar uma família de até seis pessoas. A proposta é implantar o projeto em um terreno do bairro Jardim Canadá, na periferia de Belo Horizonte, próximo a uma zona de proteção ambiental. Grande parte dos moradores vive ali de forma precária, sem ruas pavimentadas nem rede de esgoto. Assim, a edificação buscaria manter as qualidades naturais existentes na área lindeira e permitir a melhora da qualidade de vida e saúde da população local.

Conceitos bioclimáticos
Diante desses desafios, as estudantes Adriana Cunha, Bruna Almeida, Marina Domingues, Isabela Furtado, Marília Mara e Renata Cláudia Guimarães propuseram o aproveitamento máximo das condições naturais e o uso responsável do material de construção. A casa terá estrutura em aço, material 100% reciclável e que facilita a montagem, enquanto a cobertura ganhará telha feita de alumínio (25%) e plástico (75%), já produzida pela Ecotop, empresa localizada em Barueri, SP. As telhas onduladas são feitas com aparas de tubos de creme dental, em substituição ao amianto. Esse processo foi desenvolvido pela Reciplac e hoje é adotado tanto pela Ecotop como pela Ibicunha, informa o professor João Diniz.

estrutura
A casa terá estrutura de aço e cobertura com telhas feitas de alumínio
e plástico, além de painéis fotovoltaicos que transformam energia solar em elétrica
Segundo a Ecotop, essas telhas têm elevada resistência mecânica e à ação dos raios ultravioleta e infravermelhos, sendo 100% impermeáveis. A empresa informa ainda que elas deixam a temperatura interna até 30% mais amena, além de serem mais resistentes que os produtos comuns. Levou-se em consideração, também, que as telhas de barro não se adaptariam ao formato circular da oca. Parte da cobertura será vedada com placas fotovoltaicas interligadas a uma bateria que produz energia elétrica. A idéia é que a energia captada por essas placas seja objeto de permuta com as empresas concessionárias do setor em Minas Gerais.

Para a ventilação da casa, estão previstas aberturas na base e no alto da estrutura, que permitirão a entrada do ar frio e a saída do ar quente. Venezianas serão feitas com barras metálicas, substituindo o alumínio.

corte
Corte
O projeto também prevê o aproveitamento da água da chuva. Captada por meio de calhas, ela será direcionada para uma caixa de tratamento e, a seguir, pode ser utilizada em lavagens secundárias ou para regar jardins. A solução para o tratamento do esgoto se dará por meio de fossa séptica, com tratamento primário e separações dos resíduos sólidos.
sistema
Sistema hidráulico
Diniz considera o projeto viável e acredita que a produção em série reduziria os custos iniciais de desenvolvimento. “Trata-se de uma pesquisa em andamento dentro da proposta do concurso internacional. Não queremos negar o desenvolvimento das tecnologias tradicionais, e sim propor uma opção no campo da arquitetura e da sustentabilidade ambiental, que é a disciplina de onde partiu a idéia de participação na competição”, finaliza o arquiteto. O trabalho ficou exposto até setembro no Royal College of Architects, em Londres.
Fonte da matéria | www.arcoweb.com.br
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