Terminal Aéreo, Natal-RN Seminário na FIEC discute uso do aço na construção

Escolhido em concurso público de arquitetura idealizado, no final do ano passado, pelo governo do Rio Grande do Norte, pelo Instituto de Arquitetos do Brasil/Departamento do Rio Grande do Norte e pela Fundação José Augusto, o projeto do Teatro de Natal foi criado por equipe liderada por Mario Biselli e Guilherme Motta. No desenho dos arquitetos paulistas, o privilegiado terreno – com duas esquinas e a face maior voltada para a avenida Miguel Castro, importante artéria da cidade – ganhará uma grande praça pública, de configuração triangular, voltada para a via principal.

Nesse espaço livre de construções, uma parte será pavimentada e destinada a apresentações ao ar livre (em atendimento a pedido do edital), e a porção restante será ocupada por jardim de palmeiras e jatos d’água. O programa proposto pelos organizadores, que solicitava quatro salas de espetáculos de tamanhos diversos (com 200, 400, 600 e 2 mil lugares), foi disposto de forma crescente, com as respectivas caixas de palco alinhadas junto à divisa nordeste do lote, ou seja, do lado oposto à praça projetada. As quatro platéias serão agrupadas por uma segunda cobertura, de modo a configurar um volume único, de planta trapezoidal, que dará caráter ao projeto. Essa cobertura, segundo os autores, conterá ainda um grande saguão único, de escala monumental.

Ao contrário do restante do prédio, que será construído com estrutura de concreto e alvenaria, essa cobertura possuirá estrutura metálica e fechamentos translúcidos, “promovendo o sombreamento de uma varanda nordestina”, segundo os arquitetos. No entanto, mesmo que os autores justifiquem esse elemento com apelos regionais, o edifício terá configuração contemporânea – dotando a cidade de equipamento inédito e marcante -, com os volumes das platéias, em tom avermelhado, assumindo o papel de protagonistas, tanto vistos de dentro quanto de fora. Ainda quanto à grelha conformadora dessa segunda pele que resolve a sempre difícil volumetria de um teatro, o júri solicita na ata que os autores dêem especial atenção à escolha do material e a sua potencial transparência durante o desenvolvimento do projeto. Os jurados chamam a atenção ainda para dois aspectos: a proteção da praça frontal frente às altas temperaturas e ventos da capital potiguar e o acesso à sala de espetáculos maior.

Por outro lado, mesmo com o saguão único, foi possível manter a independência das quatro salas, que possuem foyers próprios. A maior delas, por exemplo, destinada a grandes espetáculos, poderá ser alcançada através de um porte-cochère, ao qual se terá acesso por uma das vias laterais. Nesse ponto, a equipe criou um grande telão, que ajudará a configurar o volume principal.

Em contraposição ao bloco descrito, a setorização dispôs os camarins e os palcos (com volumes visíveis do exterior) na face posterior. Alimentados por uma via interna de serviço, que ocupará o recuo nordeste de seis metros de largura, os espaços de apoio estarão em grande parte implantados no subsolo, que abrigará também dois níveis de garagem destinada ao público, aproveitando o desnível existente.

A proposta derrotou outros 75 concorrentes e foi escolhida por júri formado por Francisco Spadoni, Gian Carlo Gasperini, Gustavo Penna, Hector Vigliecca, Nelson Dupré, Sérgio de Paiva e Sylvio Podestá. As equipes classificadas em segundo e em terceiro lugares (Juliana Corradini e José Alves; Lilian e Renato Dal Pian, respectivamente) também são paulistas

Texto resumido a partir de reportagem de Fernando Serapião

  • Publicada originalmente em PROJETODESIGN
  • Edição 312 Fevereiro de 2006

Ficha Técnica

  • Teatro de Natal
  • Local: Natal, RN
  • Início do projeto: 2005
  • Área do terreno: 22.289 m2
  • Área construída: 12.412 m2
  • Arquitetura: Mario Biselli e Guilherme Motta (autores);
  • Daniel Corsi da Silva, Taís Cristina da Silva, Renata
  • Calfat, André Sauaia, Fernanda Castilho, Victor
  • Paixão e Marcela Ernani (colaboradores)
  • Maquetes eletrônicas: Visualize
  • Consultoria de paisagismo: Iracy Leme
  • Consultoria de orçamento: Ricardo Zulques

Escrito por webmaster

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